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As duas caras da Espanha: retrato de uma eliminação melancólica

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  • A exemplo de 2018, a Espanha foi eliminada mais uma vez nos pênaltis na Copa do Mundo
  • Os espanhóis tiveram uma posse de bola de 77% durante a partida
  • Marrocos enfrenta agora Portugal nas quartas de final no Catar

Na zona mista do Estádio Cidade da Educação, um jornalista espanhol transmite pelo rádio a dor pelo adeus ao Mundial. O sentimento é o mesmo que o de quatro anos atrás, no Estádio Olímpico de Luzhniki.

A Espanha acaba de ser eliminada da Copa do Mundo, mais uma vez na disputa de pênaltis, novamente depois de 120 minutos em que criou chances, mas não acertou a pontaria. No Qatar, assim como na eliminação diante dos donos da casa em 2018, o que se viu foi a mesma história, a mesma sentença e a mesma tristeza. O plantel espanhol caminha de cabeça baixa diante do olhar atento dos torcedores, que timidamente tentam parar os jogadores. O sofrimento parece contido, mas a cara é o espelho da alma. Pedri e Gavi, revelações e promessas da seleção espanhola, pareciam segurar as lágrimas. Com 20 e 18 anos respectivamente, os jovens ainda poderão disputar outros Mundiais, mas o sentimento por ora é de destruição. Principalmente para Gavi, um dos melhores em campo e que brigou por cada bola até ser sacado para a entrada de Carlos Soler.

Difícil também para Sergio Busquets, que depois de levantar a taça na África do Sul, em 2010, dificilmente teria imaginado três campanhas consecutivas tão decepcionantes na Copa do Mundo. “Tivemos alguns méritos, mas foi uma partida muito física, com eles bem fechados e se defendendo”, avaliou. “Foi muito difícil, e na prorrogação foi mais do mesmo. Tive uma chance no último segundo, mas acabamos fora do jeito mais cruel.” Eles não foram os únicos a sentir a eliminação. “Estamos furiosos e tristes”, declarou Marcos Llorente, titular da lateral direita que teve de enfrentar o marroquino Sofiane Boufal em noite inspirada. “Mais uma vez nos pênaltis, é indignante.”

A Copa do Mundo mostrou mais uma vez que o importante não é como a caminhada começa, mas sim como ela termina. A Espanha que o diga, já que o título conquistado em solo africano fora conquistado após início com derrota para a Suíça. Protagonistas de uma das melhores apresentações da competição, os espanhóis talvez agora vejam os 7 a 0 sobre a Costa Rica como um mero prólogo para o pesadelo. E ainda que seja injusto para técnico e jogadores, as reações oriundas do resultado são impiedosas. A avassaladora posse de bola agora não passa de uma obsessão estéril, o streaming já não é uma ferramenta de comunicação, mas sim uma perda de tempo, e Luis Enrique já não merece mais o carinhoso apelido de Padrique, que havia recebido nas redes sociais. os espanhóis talvez agora vejam os 7 a 0 sobre a Costa Rica como um mero prólogo para o pesadelo. E ainda que seja injusto para técnico e jogadores, as reações oriundas do resultado são impiedosas.

A avassaladora posse de bola agora não passa de uma obsessão estéril, o streaming já não é uma ferramenta de comunicação, mas sim uma perda de tempo, e Luis Enrique já não merece mais o carinhoso apelido de Padrique, que havia recebido nas redes sociais. os espanhóis talvez agora vejam os 7 a 0 sobre a Costa Rica como um mero prólogo para o pesadelo. E ainda que seja injusto para técnico e jogadores, as reações oriundas do resultado são impiedosas. A avassaladora posse de bola agora não passa de uma obsessão estéril, o streaming já não é uma ferramenta de comunicação, mas sim uma perda de tempo, e Luis Enrique já não merece mais o carinhoso apelido de Padrique, que havia recebido nas redes sociais.

No Estádio Cidade da Educação, o selecionado espanhol apresentou todas as virtudes que o levou às semifinais da Eurocopa, ao vice-campeonato da Liga das Nações e às oitavas de final no Catar. Foram mil passes trocados e uma posse de bola de 77%. Mas a Espanha também foi vítima de seus próprios erros, da ineficiência em quebrar os esquemas defensivos armados por times que se fecham em bloqueios baixos, como fez Marrocos de Walid Regragui, à falta de criatividade na hora de encontrar soluções individuais.

“Dominamos a partida”, respondeu Luis Enrique ao ser questionado sobre o tema na coletiva de imprensa. “O que nos faltou foi o gol. Dominamos o meio-campo, criamos situações de progressão contra um adversário completamente fechado e com muitíssima qualidade defensiva. A torcida marroquina fez do estádio um verdadeiro caldeirão para apoiar uma equipe que em 390 minutos de Copa do Mundo sofreu apenas um gol. E o dado tem ainda mais peso quando se considera a envergadura dos adversários, já que Croácia, Bélgica e Espanha não conseguiram furar o paredão de Marrocos.

Nem mesmo na disputa de pênaltis a Roja conseguiu superar o goleiro Yassine Bounou, o Bono, que se tornou o herói da partida. A torcida marroquina fez do estádio um verdadeiro caldeirão para apoiar uma equipe que em 390 minutos de Copa do Mundo sofreu apenas um gol. E o dado tem ainda mais peso quando se considera a envergadura dos adversários, já que Croácia, Bélgica e Espanha não conseguiram furar o paredão de Marrocos. Nem mesmo na disputa de pênaltis a Roja conseguiu superar o goleiro Yassine Bounou, o Bono, que se tornou o herói da partida.

O tiki-taka espanhol não foi capaz de superar o esquema destemido de Marrocos. Regragui compactava suas linhas em um bloqueio baixo, fechado e agrupado em um bloco único que defendia longe da meta de Bono e que restringia ao máximo os espaços para evitar que a bola encontrasse Gavi e Pedri pelo centro. A Roja, que jogou de azul, produzia mais pela pressão do que pela posse. Tranquilos com a ideia de jogar sem a bola, os marroquinos iam gastando o relógio enquanto a Espanha, ainda que com novos nomes em campo, não mudava o plano de jogo. Apenas Nico Williams, que começou no banco, conseguiu mudar um pouco as ações em uma jornada que teve Sofyan Amrabat como o dono da meia-cancha. A estratégia de Marrocos em levar a disputa para as deduções deu certo, já que a Espanha perdeu suas três cobranças apesar do treinamento intensivo a que Luis Enrique havia vencido seus jogadores nos meses anteriores. O primeiro a bater foi Pablo Sarabia, que ainda não havia entrado em campo durante todo o torneio e só foi acionado aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. Com 16 pênaltis se tornaram no currículo, e depois de acertar a trave ainda com a bola rolando, o jogador perdeu sua primeira cobrança da marca da cal na carreira.

Jogadores de Marrocos e o técnico Walid Regragui deram sequência à festa do gramado e dançaram no vestiário depois da vitória sobre a Espanha na disputa por pênaltis.

Era possível sentir no ar o nervosismo e a falta de confiança dos espanhóis. Os seus vivenciando Carlos Soler e Sergio Busquets também alimentaram cobranças, custando a sequência espanhola no torneio. “É minha responsabilidade”, assumiu o treinador. “Escolhi os três primeiros cobradores, que eu considerei os melhores. Se tivesse outra disputa de pênaltis neste momento, eu escolheria os mesmos nomes.” Esse é Luis Enrique, fiel a seus ideais na vitória ou na derrota. Seu futuro à frente da seleção está em aberto, ainda que os poucos jogadores que se pronunciaram sobre o assunto após a partida apoiem a continuidade do projeto. “Criamos oportunidades o suficiente para ganhar, tivemos 11 finalizações, ainda que talvez tenhamos comprado mais”, ponderou o comandante.

“Isso é o esporte. Os jogadores seguiram 100% das orientações que passei para eles. Ou 99,9%, porque queria marcar o gol e eu queria que buscassem oportunidades. Acabou, precisamos analisar a partida com tranquilidade. Não tenho nenhuma reclamação a fazer sobre este grupo de jogadores.”

Fonte: FIFA


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.

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