Bicentenário

Série Fatos Da Independência: Protagonismo indígena na Independência

Compartilhar

Chegaram na fronteira do Ceará com a Paraíba, no dia 23 de maio de 1817, 400 índios armados com arco e flecha, para dar fim a quaisquer agitações republicanas advindas da Revolução de 1817. Convocados pelo governador do Ceará, que se dirigiu a eles chamando-os de “intrépidos e valorosos”, os indígenas alinharam-se à Coroa e patrulharam as regiões até que ninguém ousasse resistir. Esse posicionamento pode ser explicado pelo fato de que o governador do Ceará era extremamente bem-quisto pelas comunidades indígenas, pois os protegia contra os abusos dos proprietários de terra. Em consequência, sentiam-se protegidos pela monarquia e lutaram para manter as poucas garantias que tinham. Além disso, a ação militar era uma forma de conseguir prestígio social e, em uma sociedade onde todos são desiguais perante a lei, qualquer honraria 56ajudaria em caso de punição.

Mas a situação não era a mesma em 1824: os indígenas temiam uma recolonização e uma consequente reescravização. A adoção dos sobrenomes indígenas pelos revolucionários após a tomada do poder em Fortaleza foi um ato que buscou uma maior conexão com a população indígena e realçou os laços locais em oposição a Portugal. Os índios desejavam manter sua liberdade e, assim, acreditaram ser mais interessante alinharem-se aos revoltosos. Participaram da sessão que oficializou a Confederação e constituíram uma força armada para lutar pelo movimento. A importância das tropas indígenas se traduz no esforço das lideranças confederadas para se aproximar delas: tratavam os índios como irmãos e mostravam-se dispostos a ajudá-los a melhorar as suas condições de vida. Eles afirmavam que lutaram pela liberdade de todos os brasileiros, incluindo os indígenas.

Entretanto, com a chegada das tropas para reprimir o movimento, alguns grupos de índios foram convocados para o outro lado da disputa. Em razão da impossibilidade de resistência diante do poderio militar dos repressores e da oferta da anistia geral para a população, os indígenas viram no realinhamento às forças portuguesas o melhor caminho. As lideranças acreditavam que conseguiriam vantagens caso não prosseguissem na Confederação, mas não foi uma escolha fácil: várias vilas indígenas demoraram a se pronunciar favoravelmente ao Imperador. Mesmo com o fim do movimento, o protagonismo indígena não desapareceu e os índios cearenses voltaram a se envolver em uma outra revolta, um pouco mais adiante: a Balaiada, em 1838, que, iniciada no Maranhão, era contra o abuso dos grandes proprietários de terra. Mas essa já é uma outra história.

Fonte: http://projetorepublica.org

Joice Ferreira

Colunista associada para o Brasil em Duna Press Jornal Magazine. Protetora independente e voluntária na causa animal.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo
LANGUAGE

Descubra mais sobre Duna Press

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo

Top week 38 Top week 37 Comité Militar da OTAN de 15 a 17 de setembro de 2023 Top week 36 Top week 35 Top week 34 O desmantelar da democracia Filosofia – Parte I Brasil 200 anos Séries Netflix tem mais de 1 bilhão de horas assistidas