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Os expulsos por Ortega continuam protestando contra o ex-presidente a 5.000 km da Nicarágua

Exilados e feridos à força, mas querendo continuar lutando, alguns dos 222 presos políticos expulsos por Daniel Ortega há apenas um mês buscam mecanismos para fazer oposição à distância e tentam encontrar uma voz comum de luta por uma Nicarágua livre.

Um mês após sua chegada aos Estados Unidos, o ex-candidato presidencial Félix Maradiaga conta à Efe em um bate-papo virtual como foi este último mês, essas “semanas agridoces” desde que Ortega os libertou, tirou sua nacionalidade e os colocou em um avião com destino ao Aeroporto Internacional de Dulles, nos arredores de Washington.

Semanas nas quais puderam desfrutar “do sabor da liberdade” e “reconectar-se com a vida”, mas nas quais entenderam o significado do exílio e viram, a milhares de quilômetros de distância, como as coisas estão mudando na Nicarágua.

Depois de passar vários dias em um hotel, os 222 foram distribuídos entre casas de parentes e compatriotas em diferentes estados.

“A maioria sobreviveu graças à solidariedade dos nicaraguenses que em sua época passaram por uma situação muito amarga e estão aqui depois de várias ondas de exílio”, diz Maradiaga, que se considera um dos mais afortunados porque teve um lar ao qual ele viveu.

No estado da Flórida, sua esposa, a ativista Berta Valle, e sua filha, que ele não via desde que entrou na prisão, vinte meses antes, o esperavam.

“Sou uma pessoa de sorte porque passei períodos da minha vida fora da Nicarágua e tenho uma rede profissional e de apoio, mas a grande maioria das pessoas que estavam naquele voo não tinham deixado o seu país nem pretendiam e muitos são pessoas muito envolvidas na luta democrática, mas de comunidades rurais”, explica.

Assim, enquanto a maioria dos libertos e exilados se dedica a curar suas feridas e tentar descobrir o que fazer com suas inesperadas novas vidas, Maradiaga vê claramente que seu dever é continuar apostando na luta à distância.

Mas, como fazê-lo de um país que só lhes deu uma autorização humanitária para residir por dois anos, sem passaporte e sem país, vindo de um estado em que a oposição foi eliminada?

“Sabemos que é uma situação muito complexa, que não será fácil”, reconhece Maradiaga, convencido de que seu papel agora é lutar para que “a comunidade internacional preste mais atenção à difícil situação da Nicarágua”.

«Os nicaraguenses saíram às ruas para protestar, sofremos o assassinato de muitas pessoas que participaram dos protestos. Organizamo-nos eleitoralmente quando tivemos que fazê-lo, rejeitamos eleições quando tivemos que fazê-lo. Fizemos tudo o que podia ser feito de dentro e neste momento estamos numa fase de internacionalização”, explica.

Nas últimas semanas, alguns dos liberados tiveram reuniões com parlamentares e seus assessores para fazer vários pedidos e conseguiram uma audiência em uma subcomissão da Câmara dos Deputados no dia 22 de março.

Eles farão vários pedidos, inclusive que a proteção que os Estados Unidos lhes concederam seja ampliada e que possam solicitar asilo político.

Eles também influenciarão a necessária libertação dos presos políticos que ainda estão encarcerados e intercederão para facilitar a reunificação familiar dos presos, já que “Ortega está fazendo todo o possível para impedi-los de vir para os EUA, não querendo emitir passaportes para eles”.

Além disso, destaca, “estamos trabalhando com alguns governos europeus para que, apesar de sermos apátridas, nos permitam viajar para explicar o que está acontecendo na Nicarágua e mobilizar algumas ações diplomáticas”.

Na opinião de Maradiaga, há muitas coisas que a comunidade internacional pode fazer para isolar o regime. A primeira, visando “a carteira”, os interesses econômicos de Ortega e seu círculo íntimo.

“Há dinheiro que ainda está espalhado em várias partes do mundo” e também “não se fez pressão suficiente” sobre “as empresas criadas na Nicarágua com o dinheiro do petróleo venezuelano”.

As sanções também devem ser estendidas a “funcionários de nível baixo e intermediário” que “escaparam das sanções porque não são conhecidos”: “advogados que realizaram julgamentos simulados, promotores, juízes ou policiais que participaram de prisões arbitrárias”.

E dar mais tempo à missão do Grupo de Peritos das Nações Unidas para “identificar mais responsabilidades individuais” no que está acontecendo, acrescenta Maradiaga, indignado com o fato de “ainda existirem agências internacionais que apoiam Ortega, como o Banco Centro-Americano de Integração econômica”.

Um dos principais desafios dessa oposição no exílio é encontrar uma voz comum porque entre os 222, lembra, há estudantes, camponeses, intelectuais, ex-candidatos políticos, líderes de movimentos de mulheres, defensores dos direitos humanos…

Distribuídos em mais de uma dezena de prisões em toda a Nicarágua, muitos deles não se conheciam e foram semanas intensas de encontro virtual e busca de uma voz comum: “O que estamos tentando desenvolver são melhores mecanismos de coordenação em um grupo extraordinariamente diverso, encontrando força nessa diversidade.”

Fonte: EFE/PanAm Post

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Joabson João

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.

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