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Crônica

A parábola do burro, o tigre e o leão

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NÃO SE DISCUTE COM BURROS

Quando a ignorância grita, a inteligência cala.

Num mundo de “inteligentinhos”, economizar saliva é sabedoria.

Dan Berg

Era uma vez nas terras dos sabeus, mais precisamente nas florestas de Maribe (Ma’rib), capital de Sabá (Sh’va, שבא), a história de um burro, um tigre e um leão.

O burro disse ao tigre: – A grama é azul.

Prontamente, o tigre respondeu: – Não, a grama é verde!

A discussão aqueceu, e os dois decidiram submeter o assunto a uma arbitragem, e para isso concorreram perante o leão, o Rei da Selva.

Mesmo antes de chegar à clareira da floresta, onde o leão estava sentado em seu trono, o burro começou gritar:

– Sua Alteza, não é verdade que a grama é azul?

O leão respondeu:

– Certo, a grama é azul.

O burro se apressou e continuou:

– O tigre discorda de mim, e me contradiz, e me incomoda: Por favor, castigue-o!

O rei, então, declarou:

– O tigre será punido com 5 anos de silêncio.

O burro pulou alegremente e seguiu seu caminho, contente e repetindo:

– A grama é azul… grama é azul… grama é azul!

O tigre aceitou sua punição, mas, antes, perguntou ao leão:

– Sua Majestade, por que me castigou? Afinal, todos sabemos que a relva é verde!

O leão, tranquilamente respondeu:

– Sim, a grama é verde!

O tigre, então, perguntou:

– Por qual motivo, então, sua majestade me pune?

Novamente, o rei da selva respondeu:

– Caríssimo tigre, pela estupidez de discutir sobre o óbvio com um idiota. Agora são dois.

– Isso não tem nada a ver com a pergunta sobre a grama ser azul ou verde. O castigo acontece porque não é possível que uma criatura corajosa e inteligente como você perca tempo discutindo com um burro, e ainda por cima venha me incomodar com essa pergunta.


Jamais perca tempo em discussões que não fazem sentido. Há pessoas que por mais evidências e provas que lhes apresentemos, ainda assim, não estão na capacidade de compreender. Outras, estão cegas pelo ego, ódio e ressentimento, e a única coisa que desejam e ter razão mesmo que não a tenham.

E, como sempre, o burro sairá sorrindo saltitante! Você conhece a parábola do jogador de xadrez e o pombo?

Em nenhum momento essa parábola é desculpa para “isentões” pecarem por omissão, silêncio e inércia diante das responsabilidades de questões sociais, direito e cidadania. Antes, é sabedoria milenar, para ninguém se amoldar ao ignorante, que tudo aceita e interfere negativamente na nação. Pelo contrário, não se dobrar a ele, mas contrapô-lo diante de fatos e verdades relacionadas ao ritmo da sociedade, visando, no mínimo, eliminar falácias, como nos é mister.


CURIOSIDADES, TRADIÇÕES, ORIGENS & AFINS

Aos que querem se aprofundar: Essa parábola possui bases bíblicas.

Sua paz e tranquilidade valem mais. Por vezes, dê sua razão ao outro, porque ele não a tem, mas você, sim! Só pode dar ao outro quem possui!

Não foi por acaso a escolha de Maribe (Ma’rib), capital de Sabá (Sh’va, שבא) para local dessa parábola, pois é nessa época, região e contexto que nascem muitos dos princípios transmitidos por Salomão. Tal sabedoria também foi degustada e absorvida pela Rainha de Sabá (reino antigo, do que hoje se conhece por Etiópia e Iêmem).

Salomão ou Shlomô (em hebraico: שלמה), deriva da palavra Shalom, que significa “paz” e tem o significado de “Pacífico” (em árabe: سليمان, Salam). É daí que surgem as saudações tradicionais, dos judeus, “Shalom Aleichem” (עליכם שָלֹום), e a cognata, dos árabes, Salaam Aleikum ou As-Salamu Alaikum, “Salamaleico” (عَلَيْكُمْ ٱلسَّلَامُ). Ambas, significando “Que a paz esteja sobre vós!”.

Se a palavra dita a seu tempo é comparada à fruta preciosa servida em salvas de prata, o inverso é verdadeiro, ou seja, a palavra dita de modo errado e, ainda que verdadeira, falada no momento impróprio, é como a mais fina iguaria servida em utensílio sanitário que lhe causa repugnância. É o inverso do paralelismo hebraico. Se a situação “x” é boa, então, a situação “y”, contrária a “x”, é ruim. É o mesmo que se ouvíssemos Salomão dizendo em língua portuguesa “atravessar a rua no sinal evita acidentes”. Ou seja, atravessar fora do sinal provoca acidentes.

Paulo (simples evolução cultural dos nomes Saul, Saulo, Paulo) carregou essa nuance literária. Ao escrever aos cristãos da região de Tessalônica sobre futurologia, o apóstolo dos estrangeiros repete a ideia “quanto a (tal coisa), não quero que sejais ignorantes”, nada mais é do que uma forma elegante do escritor sacro dizer algo parecido com “vocês já estão sendo ignorantes, entendendo tudo (ou quase tudo) errado, pelo que vejo no procedimento de vocês… e eu quero corrigir esses pontos por meio disso que agora escrevo, formalmente, para instrução de todos”.

No mesmo diapasão, a palavra retida, da pessoa, momento, grupo, que não a mereçam, é sabedoria que promove a paz! O que o Salomão disse?

Se, por um lado, a sapiência registra:

Não responda ao insensato com igual insensatez, do contrário você se igualará a ele. (Provérbios de Salomão [organizer] 26:4 – NVI | Mishlei |  מִשְׁלֵי שְׁלֹמֹה)

Por outro, reforça:

Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio. (Provérbios de Salomão [organizer] 26:5 – NVI | Mishlei |  מִשְׁלֵי שְׁלֹמֹה)

Direto ao hebraico, em sua literatura poética, repleta de paralelismos, em livre tradução, com base na Bíblia Hebraica e Westminster Leningrad Codex, o verso 5 que parece, ao leitor desavisado, contradizer o 4, em vez disso, nos traz exatamente a ideia principal, que coroa o contexto que parafraseamos:

Não desça ao nível do estulto tentando, inutilmente, responder suas ilusões, para que não se pareçam iguais. Não dê atenção a tolices. Por outro lado, ao estulto, responda exatamente nos termos de sua estultícia, para que ele perceba sua própria imbecilidade de pensamento ao não conseguir responder e atingir o nível da verdade, dos fatos e das questões que você lhe contra indagar. (Dan Berg, paráfrase de Mishlei de Salomão, Provérbios 26:4,5).

Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias

Sólon de Atenas – Σόλων – 638 a.C. – 558 a.C – estadista, legislador e poeta grego antigo – um dos Sete Sábios da Grécia – criador da Eclésia, Assembleia Popular Ateniense

Milênios depois, o apóstolo Paulo nos apresenta, com palavras sutis e educadas “eis os mesmos burros da parábola e da sapiência de Salomão”:

Evite as conversas inúteis… […] Alguns se desviaram dessas coisas [amor, boa consciência e fé], voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas.

Paulo, ITm.1:6-7; IITm.2:16

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Carpe diem. Frui nocte!

Envie para quem você ama!

⁞Ð.β.⁞


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