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Vírus e Vacinas, as peças do quebra-cabeça se encaixam

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Os vírus conspirando contra todos

Em 2002, uma síndrome respiratória aguda grave virulenta (SARS-CoV) emergiu nos mercados populares da China Comunista, onde se vende carne de animais silvestres e da agropecuária. [1] [2] [3]

SARS-CoV é transmissível pelo ar contaminado com gotículas de saliva, espirro, tosse, muco, ingestão de carne de morcegos e ele iniciou-se transmissível entre espécies de animais diferentes nos mercados populares chineses. Esse início de texto soa familiar? Pois bem, é dessa mesma maneira o problema ressurgiu em 2019. [1] [2] [3]

Geneticamente, SARS-CoV tem proximidade aos vírus do grupo influenza (gripes aviária e suína),  surgindo um pouco após, mantendo-se paralelamente à gripe aviária e precursora à gripe suína, um dado interessante, aparentando que há continuidade das estratégias de transmissão e virulência. [1] [2] [3]

Outro fator interessante é que seu genoma é RNA com 2/3 de regiões abertas (ORF), que pode facilitar erros em mutações! SARS-CoV e MERS (SARS-CoV do Oriente Médio) são os mais letais vírus da família Coronaviridae em humanos e animais. [1] [2] [3]

A doença foi a primeira pandemia transmissível desconhecida do século XXI, espalhou-se rapidamente em 32 países, afetando um pouco mais de oito mil e quinhentas pessoas e matando novecentas delas (10% de virulência) e tudo isso somente no inverno entre 2003 e 2004. [1] [2] [3]

Portanto existem 2 fatores misteriosos nesta situação toda:

1) o SARS-CoV ter somente aparecido apenas nos animais em mercados populares e da pecuária, não dos selvagens. [1] [2] [3]

2) o genoma dessa doença está evoluindo rapidamente em animais (e só neles!)  dentro dos mercados populares chineses, o que significa ele ainda devia estar tentando se adaptar aos hospedeiros ainda em 2002. [1] [2] [3]

Em 2004, estranhamente começaram a desaparecer os casos da moléstia em humanos, perpetuando somente em morcegos, ainda que rara a transmissão destes àqueles. A partir disso, por um lado, podemos considerá-lo como o início do período de incubação viral, ou seja, quando o vírus não se manifesta sintomas no hospedeiro, mesmo estando nele. [1] [2] [3]

Por outro lado, devemos considerar a ecologia dos quirópteros, uma vez que eles são amplamente distribuídos próximos à linha do equador, exceto em algumas ilhas oceânicas e na Antártida. [1] [2] [3]

Os morcegos são um dos grupos mais importante na difusão de síndromes respiratórias agudas graves em humanos e animais por causa de diversos fatores: capacidade de voo, diversidade alimentar e de espécies (1000, ou seja, 20% dos mamíferos), alta migração, ancestralidade comum e serem um forte reservatório viral. [1] [2] [3] [4]

Em regra, esses mamíferos alados se apegam a 1 ponto de nidificação (poleiro), que é o abrigo onde ocorrem as interação e organizações sociais. [1] [2] [3] [4]

Por conseguinte, ambientes agropecuário e urbano beneficiam a área de vida (de 200Km a 2000Km) das espécies de morcegos, uma vez que as fêmeas migram mais que os machos e os indivíduos de áreas temperadas mudam-se mais que aqueles de regiões tropicais, o que pode explicar o porquê da alta capacidade de transmissão de SARS-CoV  e CoV-19 no Hemisfério Norte do mundo.  [1] [2] [3]

Em células humanas hospedeiras, SARS-CoV adentra com o uso das próprias enzimas pontiagudas (proteínas S) receptoras de angiotensinas da célula alvo. Após algumas modificações estuturais desta proteína, há fusão das membranas e o genoma viral (RNA) adentra no citoplasma, onde ocorre a virulência, de forma que, aumenta-se a patogenia devido a estresses em proteínas perfurantes e concentrações de íons. [1] [2] [3] [4]

O nucleocapsídeo viral é traduzido para uma proteína complexa ribossomal recém sintetizada pelo RNA, relacionado-se à transcrição, replicação, produção até de DNA e desempacotamento da cápsula viral. [1] [2] [3] [4]

Sendo assim, SARS-CoV é encontrado através de testes sorológicos e deve ocorrer entre pelo menos 2 a 3 semanas da infecção. O maior problema atual sobre a metodologia é ter uma que seja a mais sensível para detecção e enquadramento da espécie de vírus.  [1] [2] [3] [4]

A vigilância epidemiológica melhor até então é uso do microarranjo de DNA polimórfico, que possui total precisão do teste; em outras palavras, é usar pequenas partes do DNA, onde ocorre muitas mutações, para que se possam encontrar padrões genéticos e usá-los para neutralizar a ação do vírus. [1] [2] [3] [4]

Várias vacinas atualmente fomentam produção anticorpos contra subunidades específicas das proteínas perfurantes (S1), através de macrófagos ou monócitos espiões, ou ainda estes só que de origem alveolar. [1] [2] [3] [4]

Todavia, estas estratégias têm falhas graves, como aumento da probabilidade de infecção por outros coronavirídeos na célula alvo. Porque os anticorpos contra as proteínas perfurantes da SARS-CoV engatilham-se dependentes do próprio progresso na batalha contra os vírus, podendo aumentar o rendimento dos contra-ataques virais. [1] [2] [3] [4] [5]

Dessa forma, ampliando a capacidade de infecção em diversas células adjacentes, por facilitar o complexo vírus-anticorpo fagocitário do agente etiológico e potencializando contágio de células alvo novas. A única solução até agora foi inibição peptidomimética (imitar partes de proteínas) da protease principal (grupo de todas as proteínas)  de SARS-CoV. [1] [2] [3] [4] [5]

Diante do exposto, mesmo o vírus existindo há milhares de anos,  estamos relatando uma possível fase de passagem do vírus entre as espécies. De forma que, esse se tornou momento crucial para as pesquisas (entre 2002 e 2015) de que maneira ocorre a transmissão, mantimento e possível profilaxia. Na próxima reportagem, abordarei sobre a Gripe Suína. [1] [2] [3] [4] [5]

[1] Simona Dostalova, Marketa Vaculovicova,  Rene Kizek. 2015.  SARS Coronavirus: Minireview. Journal of Metallomics and Nanotechnologies 2015, 1, 37—42.

[2] Andrea Balboni, Mara Battilani, Santino Prosperi. 2012. The SARS-like coronaviruses: the role of bats and evolutionary relationships with SARS coronavirus. NEW MICROBIOLOGICA, 35, 1-16, 2012.

[3] Kenneth McIntosh and Stanley Perlman. 2015. Coronaviruses, Including
Severe Acute Respiratory Syndrome (SARS) and Middle East Respiratory
Syndrome (MERS).

[4] K. Y. Yuen, P. C. Y. Woo, S. K. P. Lau. 2008 An oral mucosal DNA vaccine for SARS coronavirus infections.

[5] Weisheng Luo, Xiaojian Su, Shouji Gong, Yongjun Qin, Weibing Liu, Jia Li,Haiping Yu, Qing Xu. 2009. Anti-SARS coronavirus 3C-like protease effects of Rheum palmatum L. extracts.

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