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História

Estela Borges uma heroína anônima

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Estela tinha apenas 22 anos quando foi assassinada. Jovem e bonita, Estela já havia casado quando revolveu mudar de emprego. Saiu de um grande banco e fez concurso para a Polícia Civil de São Paulo. Foi nomeada no cargo de Investigadora. Estela Borges Morato (1947-1969) foi talvez uma das primeiras mulheres concursadas a ingressar no serviço público brasileiro.
Estela foi designada para uma operação de captura de um criminoso, assaltante de bancos. O perigoso marginal, juntamente com seus comparsas, resistiu à prisão. 


Durante uma emboscada para prender o subversivo Marighella – na Alameda Casa Branca, próximo ao Centro da capital paulista –, o delegado Fleury deu a voz de prisão ao terrorista Marighella, porém este “heroico” guerrilheiro tentou se esconder atrás de um fusca e seus dois capangas reagiram e alvejaram os agentes do DOPS de São Paulo, inclusive a jovem moça de 22 anos.

Estela foi atingida na cabeça e morreu dias depois.

Estela Borges Morato, a heroína, é quase que totalmente desconhecida dos brasileiros. O marginal, ao contrário, não só é amplamente conhecido como mais um filme foi feito em sua homenagem.


Durante o tiroteio, foi também vitimado o dentista Friederich Adolf Rohmann, que estava dirigindo e nada tinha a ver com a história.
Assim como um escultor molda a substância bruta transformando-a em uma obra de arte, os responsáveis pelo filme tiveram muito trabalho e esforço para transformar o terrorista que lutava para implantar uma ditadura no nosso país em um mártir.

Marighella, ao contrário do que afirmam e reafirmam seus adoradores, não queria o bem de ninguém e muito menos mudar o mundo. Queria o poder, o poder exercido a ferro e fogo pelos ditadores. Não foi ele um pobre trabalhador revoltado com a burguesia. Marighella cursou engenharia e foi deputado. É de sua autoria o mini manual do guerrilheiro urbano, onde ensina aos seus comparsas como matar pessoas, explodir instalações, sequestrar, torturar.


A história contada em fragmentos, pintados e adequados de acordo com interesses, não é história, é farsa, é manipulação. A verdade, aos poucos, foi sendo apagada. Desde aquele 7 de novembro de 1969 pouco se escreveu sobre Estela. Filmes, cinco até agora, livros e músicas fazem homenagem ao terrorista. O governo do senhor Fernando Henrique reconheceu a responsabilidade do estado na morte do marginal que almejava o poder absoluto, concedendo à viúva de Marighella uma indenização. Na Alameda Casa Branca, local onde o marginal enfrentou a polícia e atingiu Estela na cabeça, há uma placa em sua homenagem.


Carteira do PCB emitida em um período de legalidade do partido, de 1945 a 1947.


É este Marighella, um psicopata ensandecido cuja “Aliança Libertadora Nacional” (que dois meses antes havia sequestrado o embaixador norte-americano Charles Elbrick) não teve receio de atirar numa mulher – que o cretino do Wagner Moura pretende homenagear. Depois não entendem por que o Brasil virou uma algazarra sanguinolenta, com uma guerra civil que se alastra há mais de vinte anos, tomando anualmente a vida de 70 mil. Numa nação onde a elite idolatra tipos como Marighella e esquecem o senso patriótico e a coragem de Estela, é natural que a vida humana já não valha nada.


Foto de grafite sobre muro da Escola Estadual Estela Borges Morato – São Paulo – SP – Brasil


Quanto a Estela, fica aqui a lembrança de uma guerreira, uma verdadeira heroína!!! 

Crônica de Autoria de Estela Borges Morato, publicada no jornal editado pelo Sindicato dos Bancários em outubro de 1969: “Que Tipo de Mundo Você Queria?”“Para esta pergunta, a resposta é sempre a descrição de uma utopia. Porém, eu gosto deste século, cheio de vivacidade e colorido, planos e esforços que nos fazem participar de uma experiência excitante e maravilhosa, sendo exatamente isso que dá a vida sua única atração verdadeira. Vida é movimento. Quero este mundo assim como ele é, com sonhos para sonhar, problemas para resolver e lutas para lutar. Vivamos intensamente a vida que Deus nos deu, afinal ela nos oferece mais prazer que dor, mesmo que haja sempre algo para ser resolvido ou remediado. Este mundo merece voto de confiança, porque ele é bom, só é mau para gente dura e de cabeça mole. O homem, enfrentando suas dificuldades, pode mostrar que é homem, aceitando o desafio. As dificuldades serão superadas e a vida valerá a pena ser vivida. Afinal já conquistamos a Lua.”

Texto de autor desconhecido, com informações acrescentadas.

Fonte:

Investigadora Estela Borges Morato

Créditos de imagem: Imagem meramente ilustrativa. Unsplash. Fotografia de Priscilla Du Preez.

Revisão e edição de Luiz Gustavo Chrispino.

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Joice Maria Ferreira

Colunista associada para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.

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