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Atomização globalizada

Por Professor Hermes Nery

A tendência desse final de década do século 21, é o crescimento do anarcocapitalismo, do libertarismo e todas as tendências e formas do anarquismo.

Junho de 1989: no jardim da casa de Honorè de Balzac, à rue Raynouard, 47, Paris, depois de ler “As Ilusões Perdidas” e pude compreender a dificuldade de cultivar valores humanos numa sociedade cada vez mais amoral.

Já quase no final da segunda década do século 21 é possível delinear algumas características preocupantes, e desafios sem precedentes na história das civilizações, de modo especial o nível célere de atomização da sociedade, em todos os níveis e culturas, de abrangência global. Nesse sentido, as tecnologias da informação (dentre tantas outras possibilidades promissoras), vem também desempenhando papel fundamental para acentuar o atomismo social, enquanto soçobram as instituições que até o século 20, buscaram dar suporte à pessoa humana.

Já no final do século 19 percebeu-se que as instituições civilizacionais (especialmente cristãs) resistiriam com dificuldade cada vez maior às perversas ilusões do modernismo. Toda a obra de Balzac (1799-1850), retratou isso, de modo tão preciso e admirável. Lucièn de Rubemprè foi o retrato da quase impossibilidade de viver como ser humano numa sociedade cada vez mais tecnicista e pragmática, seduzida por todos os pecados capitais, que reduziria a pessoa abaixo do mínimo de suas possibilidades, como no inseto descrito por Kafka. Mesmo os que conseguiam driblar com astúcia as exigüidades financeiras, tornavam-se rapidamente aberrações sociais, com riquezas de dar inveja aos imperadores da Antiguidade. E o modo abjeto como terminavam certos self-made-man, cuja avareza e hedonismo extremados, o conduziram à morte da alma e ao cipoal de todos os enganos.

Com a devastação material da 1ª Grande Guerra Mundial, já não foi possível recompor o que se tornara cacos, e as instituições foram forçadas a toda espécie de adaptações, no laboratório social que se tornou o mundo, globalizando experimentos de controle e desmonte civilizacional, com exotismos variados. A família – primeira e principal instituição humana – foi a primeira a sentir o desmoronamento, mas esperava-se que as demais instituições, constituídas justamente para defender a primeira delas (a família), fossem capazes de lhe dar proteção. Mas nem o Estado nem a Igreja (referindo-se apenas a duas delas) não conseguiram as respostas para tais desafios. O Estado se arvorou num paternalismo patológico, com tendência em sufocar as liberdades individuais, impregnado de ideologias inumanas. Nazismo e Comunismo foram duas expressões máximas de horrores incontáveis.

Instituições destituídas daquilo para o qual foram constituídas

Novembro de 1989: menino participa de movimento para derruir o muro de Berlim.

O século 21 talvez tenha se antecipado em 1989, com a queda do muro de Berlim, cujos anos 90 viram emergir as primeiras tendências do que seria a marca do que viria no próximo século. A Igreja Católica, depois do Concílio Vaticano II, buscou um aggionarmento cujos resultados tiveram, até o momento, um efeito bumerangue: as concessões feitas ao modernismo, foram tirando da Igreja o seu vigor e a sua identidade bimilenar. Depois da renúncia do papa Bento XVI (2013), setores da Igreja abraçaram com um afã incomum a agenda globalista, contrariando, em muitos aspectos, tudo o que ela defendeu desde a sua fundação, no séc. I. Destituídos daquilo para o qual foram constituídas, as instituições Estado e Igreja (cada qual nas suas esferas de atuação: “Daí a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”), deixaram a família vulnerável ao pior de todos os ataques, desde a Pré-História. No final da segunda década do século 21, o Estado, a Igreja e a Família, estão não apenas sob o fio da navalha, mas em meio a escombros. Mais do que simulacros, se tornaram até instâncias de perigo. Daí que o terreno cultural ficou propício para fazer medrar outra corrente de pensamento (tão danosa quanto o comunismo) que é o anarquismo. O que vemos então, é a atomização globalizada, aonde a pessoa não encontra amparo nas instituições, e entregue à selva da arena social, terá de, por suas próprias forças, dar conta não apenas da sobrevivência, mas em tirar proveito (até amoralmente) do que cada um puder obter, no salve-se quem puder.

Com a sociedade inteiramente atomizada, o sentido de Família, de Estado, de Igreja, de Patriotismo e tudo mais, perderam vigor. Foi o cristianismo justamente o que humanizou tais instituições e as fizeram civilizar. Daí que as forças que hoje assolam a família, são também forças anticristãs. Para entender então a crise atual das instituições, é preciso saber que a raiz dessa crise é a falta justamente do componente cristão que deu solidez às instituições. E para que as instituições voltem a civilizar, é preciso fazer revigorar o componente cristão na sociedade. Ou – como diz Bento XVI – é preciso voltar a compreender o que é realmente ser cristão, para que o cristão volte a ser realmente compreendido.

Como não se é cristão sozinho, foi se tornando cada vez mais difícil ser verdadeiramente cristão na sociedade globalmente atomizada.   Por isso que a tendência desse final de década do século 21, entre outras, é o crescimento do anarcocapitalismo, do libertarismo e todas as tendências e formas do anarquismo. É evidente que outros horrores incontáveis farão fracassar toda espécie de anarquismo, porque a História (nos dois milênios) comprova que somente o cristianismo é capaz de civilizar e salvaguardar as melhores promissões da pessoa humana, de cada pessoa.

Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética e Coordenador do Movimento Legislação e Vida. 

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Paulo Fernando de Barros

CEO em BAP Duna Gruppen, fundador e editor em Duna Press Jornal e Magazine.

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